E você, já sabe o que é uma câmera mirrorless?

Ela não chega a ser um produto inovador – os primeiros modelos já estão beirando uma década de vida –, mas o fato é que apenas agora as câmeras mirrorless têm de se popularizado no Brasil. Mas, afinal, o que há de tão interessante e o que é uma câmera mirrorless? O nome enrolado vem do inglês e significa que tal máquina fotográfica não utiliza um view finder com base em espelhos (mirror) – caso das DSLR –, mas que conta com um atrativo incontestável: possibilidade de utilizar lentes intercambiáveis. Ou seja, ela tem cara, tamanho e jeito de compacta, mas, graças à possibilidade de troca de lentes, é um produto muito mais versátil e com mais recursos do que as point and shoot do mercado. Já na comparação com as imponentes DSLR, elas levam vantagens no preço (são mais baratas) e no tamanho (muito mais leves e fáceis de serem transportadas).

Modelo de câmera mirrorless da Olympus (foto: Kyle Lam/Wikipedia) Modelo de câmera mirrorless da Olympus (foto: Kyle Lam/Wikipedia)

 

Só para ilustrar, alguns modelos mirrorless (especialmente os mais recentes) contam com sensores APS-C, aqueles mesmos encontrados em DSLR semi-profissionais, que, por sinal, são muito superiores aos das câmeras compactas. Some-se a isso a possibilidade de troca de lentes e a comparação com um modelo point and shoot em termos de qualidade de imagem se torna simplesmente descabida. Por outro lado, elas levam também algumas vantagens em relação às DSLR. Primeiro, são mais baratas (argumento suficiente para a decisão de muitos). Em segundo, são menores e mais silenciosas (por conta da ausência do espelho). E, em terceiro, suas lentes são sensivelmente mais baratas que as das suas irmãs maiores.

Então, ela é o melhor produto fotográfico já lançado? Calma lá, sem exageros. Para começar, se ela leva vantagem no preço sobre as DSLR, acaba perdendo na comparação com uma compacta. Elas também não possuem o view finder ótico. O que temos no lugar é um view finder eletrônico (similar ao das point and shoot). Isso acarreta um pequeno lag entre os ajustes efetuados e o que nos é mostrado na tela/view finder. Outro ponto negativo na briga com as DSLR é que as câmeras mirrorless utilizam um sistema de foco por contraste, sensivelmente mais lento e menos preciso que os utilizados nas DSLR (do tipo phase-based). Além disso, não é possível compartilhar lentes com DSLR, já que a maioria das mirrorless trabalha com um novo tipo de encaixe.

No final das contas, vale a pena comprar uma mirrorless? Depende do seu uso e do seu orçamento. Se você quer uma câmera com mais recursos do que as compactas tradicionais, mas o tamanho e o preço de uma DSLR te deixavam na dúvida, pode comprar de olhos fechados. A possibilidade de troca de lentes te dará uma liberdade criativa e qualidade de imagem incomparáveis num corpo suficientemente compacto para ser usado diariamente. Agora, se você frequentemente registra cenas rápidas, como esportes ou animais em movimento, os pequenos lags (pequenos, mesmo) do sistema de foco do view finder eletrônico podem te dar mais trabalho ao fotografar. Já quanto à lógica de mercado, é claro que as mirrorless não vão competir com modelos compactos extremamente baratos ou com DSLR de especificações superiores. Se a faixa de preço for a mesma, vale a pena pensar em uma.

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